domingo, 26 de julho de 2009

O Poder da “UniMídia”


Não é incomum ficarmos fascinados com as possibilidades que a multimídia nos traz. Vídeos, animações sincronizadas com áudio ou texto, apresentações com slides narrados, tudo isso junto e muito mais. Mas hoje quero fazer um ode à “UniMídia”. Muito bem, você nunca deve ter ouvido este termo e é porque eu acabei de cunhar. A UniMídia se opõe a MultiMídia dando ênfase a uma única mídia.

Perdidos nos encantos da multimídia corremos o risco de ficar atrás sempre de produções demoradas e custosas, esquecendo que há coisas impressionantes que podem ser feitas com uma única mídia. Uma que anda bastante esquecida no contexto da educação é o áudio. Digo isso por experiência pessoal; já participei de cursos, palestras e li livros todos na forma de áudio (exclusivo). Fico impressionado com as possibilidades. Atualmente estou lendo o livro Origem das Espécies de Charles Darwin (em inglês) gravado pelo Librivox, um projeto baseado em voluntários para a gravação em áudio de livros em domínio público. Eles têm uma página em português também: Librivox em português.

Mas o que me impressionou e estimulou a escrever data do século 12. Ok, você já percebeu que eles não tinham computadores. Mas desenvolveram uma técnica que deixaria qualquer aplicação multimídia com inveja. Trata-se da pintura panorâmica “Ao Longo do Rio Durante o Festival Qingming”. É uma técnica impressionante de pintura na forma de uma longa tira de mais de cinco metros. Percorrer a pintura com o olhar é como acompanhar a vida ao longo de uma cidade. Há uma misteriosa dinâmica na medida em que os olhos transcorrem as oitocentas e tantas pessoas, mais animais, barcos etc. É como viajar em universo particular. Não vou falar muito e deixar a experiência por sua conta. Clique no recorte da pintura abaixo para ter a experiência completa.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Capturando seu Desktop

Computadores são companheiros de grande parte das pessoas que produzem conteúdo educacional, seja como processador de textos, seja para se criar slides, ou para se encontrar coisas interessantes na Internet. Com um passo a mais você pode converter seus textos e slides em mídias narradas e animadas, usando a técnica de captura de ações na tela do computador. Recomendo dois excelentes programas gratuitos para você fazer isso, o WinK e o CamStudio.

WinK - http://www.debugmode.com/wink/
CamStudio - http://camstudio.org/

O WinK é um produto mais poderoso e mais indicado quando você quer fazer pós-edição. Ele tem duas formas de captura. Uma que captura telas só quando você faz alguma ação (clica com o mouse, aperta um botão etc.), gerando vídeos menores, e outra que faz captura temporal. Ele tem recursos aprimorados para você definir graficamente a parte da tela que quer capturar. Depois da captura, o WinK abre uma ferramenta de edição, onde você pode eliminar quadros desnecessários, ajustar o movimento do mouse, definir pontos de parada, colocar textos, gráficos, anotações e sinalizações sobre o vídeo, copiar e colar quadros do próprio vídeo ou de outras capturas. Enfim, um ambiente completo para você refinar a sua apresentação. A única desvantagem do WinK, ao meu ver, é que ele gera uma animação Flash ao invés de um vídeo. O comportamento é idêntico ao de um vídeo, com a vantagem que você pode definir elementos de interação, mas o formato impede, por exemplo, que o resultado seja colocado diretamente no Youtube. Entretanto, se você tem um Web site próprio, pode inserir nele as animações Flash geradas.

O CamStudio tem recursos mais modestos e não tem uma ferramenta de pós-edição, mas permite igualmente a captura de vídeo e áudio, bem como definição da área de captura. A vantagem do CamStudio sobre o WinK é que ele gera um vídeo; você pode inclusive escolher o formato de gravação (e.g., MPEG4, AVI etc.), contanto que você tenha o codec (programa responsável pela codificação/decodificação de um formato de mídia) instalado na máquina. Você pode fazer upload do vídeo no Youtube.

Ambos os programas só exigem um computador comum e um microfone, caso você queira capturar áudio. Eles só não capturam (ainda) imagem de webcams. No caso de webcams, utilizo usualmente o programa de captura e gravação que vem junto com a própria câmera.

As possibilidades de captura são ilimitadas. Veja, por exemplo, minha postagem de abril “Vendo o Invisível e Black-box” -- em que capturo a interação com jogos --, ou o vídeo abaixo em que capturo slides. Ambos foram capturados com o CamStudio.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Hora do recreio!

Eu estou começando a achar esse meu blog muito chato! Só assuntos meio científicos e educacionais. Então eu resolvi fazer uma pausa para o recreio e colocar umas músicas legais do Jon Schmidt.

A primeira se chama "To The Summit" (summit quer dizer topo). Eu gosto não só da música, mas da estória de sua criação. Jon narra que sonhou que estava apresentando esta música com uma orquestra completa e casa cheia. De repente, ele se deu conta que era a primeira vez que ele escutava a música que estava tocando. Ele rapidamente acordou e foi ao piano antes que a música se esvaísse. Lenda ou não, a estória e a música se completam.



"All of Me" é a mais tocada dele e, de fato, excelente!

Desde a última atualização deste post Jon Schmidt se juntou a um grupo chamado The Piano Guys, que conta com o violoncelo de Steven Sharp Nelson. O Pachelbel de Jon Schmidt inicial, que depois ele combinou com U2, foi substituído por uma criativa versão de Steven:



(este post tem passado por atualizações pois as músicas/vídeos incorporados têm ficado indisponíveis ou são transferidos)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Cultivando Tangerinas no Ziplock

Esta fotografia abaixo -- em que crianças de uma escola cultivam sementes de feijão e girassol em um saco de ziplock com uma toalha de papel umedecida -- me lembrou imediatamente de uma idéia antiga. Sempre pensei na fotografia digital como um meio privilegiado de capturar certos fenômenos do mundo que acontecem de forma tão lenta, que são imperceptíveis em um curto espaço de tempo. Assim acontece com o crescimento de uma muda. Os sacos de ziplock são perfeitos para se visualizar a planta inteira, inclusive a raiz, durante o processo de crescimento.
baggies.jpg
Veja sobre esta imagem no blog: The Momo Blog

Então tomei a decisão de fazer o cultivo. Busquei e li na Web alguns experimentos do mesmo tipo e verifiquei que usualmente é referenciada a semente de limão. Tentei o limão e o resultado você vê na fotografia abaixo; abri uma dúzia de limões e nenhuma semente.

Me irritei com os limões e parti para a tangerina (o parente mais próximo que achei na geladeira =). O resultado deu certo! Tentei também maçã e feijão. O feijão cresce rápido e morre rápido; a maçã dura mais que o feijão, mas também não durou tanto tempo. Você pode ver fotografias quase diárias neste álbum:



Este experimento serviu como tema base para um tópico sobre experimentação científica, na disciplina de Introdução ao Trabalho Científico da Unifacs, em que eu sou um dos autores. Fiz um vídeo para a disciplina onde detalho como cultivar a tangerina no ziplock:


sábado, 11 de abril de 2009

Fazendo Muito com Pouco

Hoje me lembrei de um evento curioso, ocorrido há muitos anos atrás. Eu estava ministrando um curso sobre o tema software educacional e, como de costume, preparei uma seleção do que havia de mais novo em termos de software gratuito. Entre os sofisticados ambientes e ferramentas estava um tímido programinha russo chamado GeoHTML (http://www.fegi.ru/geohtml/). Trata-se de um programa especializado na criação de links mapeados no HTML. A idéia básica é que você pode partir de uma imagem qualquer e, usando o GeoHTML, definir áreas sobre a imagem (polígonos, retângulos e círculos) que se transformam em links, ou seja, quando você clica na área ela lhe remete a um endereço que você indica. A idéia não é nova, já existe no HTML há muito tempo, mas o software faz isso de uma forma muito simples (veja a ilustração).


Autor da ilustração da anatomia: Patrick J. Lynch
disponível na Wikimedia Commons


Esse programinha fez um sucesso tremendo! Mais do que todos os outros juntos. Imagine o que você pode fazer com isso em termos educacionais. Como na figura exemplo, dá para mapear as partes do corpo humano. Cada link pode conduzir a uma página que explica aquela parte, ou até para uma nova figura ampliando e detalhando a área específica (que pode ter novos links). Você pode usar mapas geográficos ou outras coisas que imaginar. Em um material nosso sobre objetos de aprendizagem apresentamos mais alguns detalhes da proposta: veja aqui.
Hoje fiquei feliz ao ver que o antigo programa ainda continua rodando no meu computador. Apesar do sucesso que fez com os professores, eu mesmo nunca apliquei com os alunos =). Compartilhe aqui novas idéias e experiências com esta abordagem de mapeamento de HTML.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Vendo o Invisível e Black-box

Como professor de computação eu muitas vezes senti a necessidade de estimular os meus alunos a desenvolver um raciocínio lógico aplicado à resolução de problemas. Como professor de introdução ao trabalho científico eu sempre achei essencial que meus alunos entendessem como a ciência opera, tirando conclusões a partir do raciocínio sobre um conjunto de evidências. Nestes dois contextos o jogo Black-box tem sido um grande aliado. Criado por Eric Solomon na década de 70, o jogo se inspirou na tecnologia da tomografia computadorizada. A forma original de como o comportamento do raio-x, colidindo com a matéria em diversos ângulos, produzia as imagens internas do corpo humano, despertou a criatividade de Eric, que resultou neste jogo muito interessante.
Trata-se de um jogo onde você deve descobrir a posição de partículas ocultas, a partir do disparo de raios. Além do desenvolvimento do raciocínio lógico, exigido pelo jogo, o jogador vai sistematizando mentalmente estratégias que podem ser aplicadas em cada tipo de situação. Isto reproduz a forma como vamos nos aperfeiçoando na resolução de problemas do dia a dia. Acho muito interessante estimular grupos de jogadores a compartilhar estratégias pessoais para o jogo, pois este compartilhamento implica em um empenho pessoal para externalizar e formalizar o raciocínio. Isso permite perceber que, no processo de resolução de problemas, é possível se sistematizar estratégias, combiná-las e aperfeiçoá-las, inclusive coletivamente.
Para contextualizar o jogo, produzi este vídeo onde falo sobre raio-x e tomografia computadorizada. Este vídeo tenta conduzi-lo por uma seqüência de idéias que resultam na compreensão de como funciona a tomografia.


Fiz este segundo vídeo onde apresento a lógica básica de funcionamento do jogo. Não me aprofundei muito para não estragar a parte mais importante do jogo: que o jogador desenvolva as próprias estratégias.


Abaixo apresento a lista de uma seleção de versões do jogo gratuitas e os respectivos comentários:
Black Box 1 – É a versão que eu prefiro do jogo; simples e bem produzida. Foi utilizada no vídeo.
Black-box cristais – Esta versão roda como DOS no computador e por isso toma a tela inteira. Apesar de não seguir rigorosamente o formato original, acho que o uso da metáfora dos cristais nesta versão deixa mais claro o comportamento de desvio dos raios.
Black-box applet – Esta roda diretamente no navegador, mas é bem simples. Não tem os gráficos e efeitos das demais. Entretanto, ela pode ser interessante para uso pedagógico se a intenção é trabalhar com o raciocínio abstrato e formalização de conhecimento, pois esta versão apresenta essencialmente números e símbolos.
Aargon BlackBox 1.0 – Variante sofisticadíssima que é inspirada no Black-box. Esta edição possui variedades de canhões e espelhos. Está disponível gratuitamente em versão demo, que já dá para fazer um monte de coisas.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Sobre este blog

Durante muitos anos trabalhei com educação e com educação & informática. As idéias, as atividades e projetos de que participei e aqueles que concebi aconteceram em sua maioria no contexto escolar e, por este motivo, foram fortemente influenciados pela forma como a educação formal segmenta o ensino em disciplinas.
Em paralelo, sempre houve a consciência e o sonho de trabalhar com temas e conceber projetos que superem esta segmentação; que partam de uma percepção do mundo e lancem desafios para a compreensão de fenômenos ou a solução de problemas. Aqui, aprender a enfrentar novos problemas é mais importante do que resolver equações, compreender como observações e relações se traduzem em gráficos, mais importante que conhecer regras pré-concebidas.
Este blog será assim. Nele, adotarei um tom informal e partirei para a experimentação sem o rigor das pesquisas científicas que desenvolvo. Você não encontrará aqui experiências específicas para trabalhar em disciplinas escolares de forma isolada, por outro lado, os temas poderão ser geradores de atividades em disciplinas específicas.
E por que as 100 linguagens? Desde criança desenvolvi uma relação pessoal com a aprendizagem através de diversos canais. Ora construía universos de papel recortados de sacos de supermercado; ora escrevia estórias e poemas; ora tocava flauta à noite enquanto meditava sobre o dia. Montei bastões de combate para me tornar ninja, arco e flecha; cozinhei ovos em uma caixa de papel; queimei papel com uma lupa; plantei samambaias e clonei mini rosas; projetei submarinos. Sempre olhei o mundo com uma curiosidade imensa, prestando atenção aos diversos canais e às diversas linguagens. E por isso, sempre quis também falar a alguém sobre o mundo deste modo, por isso, nasceu este blog.