“Quando eu era criança, um grande búfalo do rio vivia no terreno baldio no fim da nossa rua, aquele que ninguém cortava a grama.”
Um livro de estórias improváveis e ilustrações enigmáticas. Em "Contos de Lugares Distantes", Shaun Tan constrói um mundo fantástico sempre provocando a sua imaginação. Ele te convida a compartilhar estórias não triviais, onde você sente a narrativa entrelaçada com as imagens etéreas, uma fusão de experiências!
Trata-se de um livro infantil não usual. A maioria deste tipo de livro subestima a inteligência e gosto das crianças. Não este.
Shaun Tan partiu de uma coleção pessoal de desenhos informais que ele fez no estilo "margem de página". Ele combina várias técnicas artísticas no mesmo livro. Suas estórias abordam assuntos humanos profundos em um estilo fantasia. Lugares fantásticos, passagens inesperadas e criaturas estranhas te esperam neste livro (não somente) infantil.
domingo, 26 de outubro de 2014
sábado, 28 de junho de 2014
O Pássaro Madrugador
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| the early birds por Angelo DeSantis |
Diz uma frase popular em inglês: "the early bird gets the worm" (o pássaro madrugador pega a minhoca). Alguns atribuem a Robert A. Heinlein o complemento: "the early worm deserves the bird" (a minhoca madrugadora merece o pássaro).
Minha contribuição para a filosofia: antes de madrugar, é bom que você saiba em que posição da cadeia alimentar você está.
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domingo, 1 de junho de 2014
A Chegada
| A Chegada por Shaun Tan |
| Voyage D’Hermes por Moebius |
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Qualquer Aparência
Não seria a ficção uma excelente ferramenta para experimentarmos aquilo que não se pode testar em um laboratório no mundo real? Esta foi a pergunta que me fiz, quando recentemente reli Metamorfose. Não é só o estilo marcante de Kafka trafegando entre o real e o absurdo (ainda que só por isso valha a pena), mas pela sua capacidade de usar o imaginário como instrumento para nos fazer pensar no real; no mais concreto real.
Gregor Samsa acorda uma manhã como um monstruoso inseto. Mas se você não estiver preparado, isto envolve muito mais sobre o real do que a maioria dos documentários que eu já assisti falando sobre pessoas.
Na Ciência, é comum que se tente isolar uma variável para testes. Por exemplo, se você quer saber se casca de ovo ajuda o crescimento das samambaias, poderá plantar muitas samambaias em condições iguais (ou pelo menos muito próximas) e escolher um grupo para usar casca de ovo e outro não. Neste caso, você estará “isolando” a variável casca de ovo e poderá acompanhar como se comportam os dois grupos.
Mas como faríamos se a pergunta fosse: quanto vale a essência de uma pessoa? Dá para isolar esta variável? Vale transformar Samsa em um repugnante inseto em um estalo de dedo? Sua essência continua a mesma; ele segue pensando e tentando agir como antes. Sua família sabe que aquele é Gregor Samsa.
Reli o livro. Queria reencontrar a pergunta que me fiz a primeira vez: será que nos comportaríamos assim? Confesso, há tempos em que temo que sim. Mas talvez seja possível transcender o esperado. Com algo intangível, talvez inventado, chamado amor. Invenção estranha.
Se decidir ler ou reler a "pequena estória" de Kafka, pense que ele continua o mesmo, Gregor, e todos sabem disso. Mas talvez Kafka nos ponha diante da maior pergunta que não queremos responder: é verdade que amamos a essência além de qualquer aparência?
Gregor Samsa acorda uma manhã como um monstruoso inseto. Mas se você não estiver preparado, isto envolve muito mais sobre o real do que a maioria dos documentários que eu já assisti falando sobre pessoas.
Na Ciência, é comum que se tente isolar uma variável para testes. Por exemplo, se você quer saber se casca de ovo ajuda o crescimento das samambaias, poderá plantar muitas samambaias em condições iguais (ou pelo menos muito próximas) e escolher um grupo para usar casca de ovo e outro não. Neste caso, você estará “isolando” a variável casca de ovo e poderá acompanhar como se comportam os dois grupos.
Mas como faríamos se a pergunta fosse: quanto vale a essência de uma pessoa? Dá para isolar esta variável? Vale transformar Samsa em um repugnante inseto em um estalo de dedo? Sua essência continua a mesma; ele segue pensando e tentando agir como antes. Sua família sabe que aquele é Gregor Samsa.
Reli o livro. Queria reencontrar a pergunta que me fiz a primeira vez: será que nos comportaríamos assim? Confesso, há tempos em que temo que sim. Mas talvez seja possível transcender o esperado. Com algo intangível, talvez inventado, chamado amor. Invenção estranha.
Se decidir ler ou reler a "pequena estória" de Kafka, pense que ele continua o mesmo, Gregor, e todos sabem disso. Mas talvez Kafka nos ponha diante da maior pergunta que não queremos responder: é verdade que amamos a essência além de qualquer aparência?
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segunda-feira, 3 de março de 2014
Fugitive beauté
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| À une passante em francês/português e referências da imagem |
A primeira vez que ouvi À une passante sendo narrado eu mal começava a tentar aprender francês. Não era capaz de entender as palavras, mas havia alguma coisa na melodia das palavras que me capturou.
Tentei apelar para traduções, mas foi inútil. Elas capturavam parte do sentido, mas não a cadência e a melodia. A poesia não acontecia em língua estrangeira. Decidi escutar a narração dezenas de vezes, até que meus ouvidos fossem capazes de entrar na angústia e contemplação de Baudelaire, ao dizer Fugitive beauté.
Em italiano se diz “traduttore, traditore” (tradutor, traidor), para expressar a impossibilidade de se traduzir. Sinto muito, mas se você quiser acompanhar Baudelaire no paraíso inalcançável que repentinamente cruza a sua rua, terá que fazê-lo em francês.
Dou minha contribuição colocando o poema À une passante (A uma passante) na minha página e esta referência para uma excelente narração em francês feita por Camille Chevalier-Karfis.
Ok, ok, eu sou um traidor! Eu fiz uma tradução do poema para o português com minha mãe (a maior parte ela). Queria atrair possíveis leitores e não gostei das traduções que encontrei. De qualquer modo, a tradução tenta se aproximar do sentido, sacrificando a cadência e melodia do francês. A tradução, portanto, não tem a intenção de substituir a leitura da versão em francês, mas só dar um gostinho inicial (pensou que escaparia fácil!).
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Desafiando o Real
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| Arte de rua de Banksy |
Eu não entendo muito de arte, principalmente em se tratando de arte contemporânea. Mas eu gosto. Principalmente da contemporânea. Este ano eu visitei uma exposição especial com uma ampla coleção de obras de Salvador Dalí no Centro Pompidou. Seguindo sua cronologia e o modo como ele progressivamente dobra o real, eu pensei: ele quer quebrar alguma coisa. Gosto de pensar sobre arte como uma tentativa de quebrar alguma coisa. Não como atirar uma pedra em uma janela, mas como dobrar o mundo da janela.
Não é sempre fácil distinguir a rebelião pura da arte. Isto foi o que pensei a primeira vez que vi uma arte de rua de Banksy. É impressionante como ele atenta contra o real em uma perspectiva diferente. O real como o modo que vemos e organizamos a sociedade, nossas vidas, as leis, o certo e o errado. Sua rebelião fala conosco em sua arte. É uma autentica intervenção social, que nos desafia.
Onde podemos ir deste modo? Eu ofereço uma síntese, que tomo emprestada de Garcia Marquez:
“Eu voltei à pensão em que estava hospedado e comecei a ler A Metamorfose. Na primeira linha lê-se, 'Quando Gregor Samsa acordou aquela manhã de sonhos inquietos, ele se encontrou transformado em sua cama em um inseto gigante...' Quando eu li a linha eu pensei comigo mesmo que eu não sabia que era permitido a alguém escrever coisas como aquela. Se eu soubesse, eu teria começado a escrever há muito tempo.”, Gabriel Garcia Marquez em entrevista, The Paris Review, 1981
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segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Antes do Pôr do Sol
Viramos abóbora? Reflexões sobre o paraíso passado.
(recomendo que só leia este blog depois de assistir o filme anterior a este, Antes do Amanhecer, pois o segundo filme revela surpresas que você não devia saber ao assistir o primeiro)
Nove anos depois de nos dar um relance do paraíso no filme Antes do Amanhecer (Before Sunrise), os autores e diretor resolvem contar: ... e como seria nove anos depois. Este é o filme Antes do Pôr-do-sol (Before Sunset). Tanto no filme quanto no mundo real (gravação do filme) se passaram nove anos. Portanto, os personagens envelheceram de fato nove anos e amadureceram nove anos.
A música de abertura, An Ocean Apart, é uma espécie de síntese do que nos aguarda:
“You promised to stay in touch when we're apartNove anos depois daquele encontro, Jesse está em um dia de autógrafos na legendária livraria Shakespeare and Company em Paris. Ele remonta no livro aquela experiência que ficou marcada como um paraíso inalcançável, já que ele não havia encontrado mais aquela garota e não sabia como encontrá-la. Não pude deixar de ficar comovido, quando Céline simplesmente aparece.
You promised before I left that you'll always love me.
Time goes by, people cry, everything goes too fast.”
O filme cria uma estória e um cenário perfeitos para confrontar dois universos. De um lado, está um paraíso passado. Uma lembrança de uma paixão intensa. Do outro, está a crua realidade vivida em nove anos. As escolhas, as crenças, os novos ideais, a perplexidade perante o mundo.
Isto acontece no mesmo estilo do filme anterior. Um diálogo pelas ruas de Paris, que parte de uma segura conversa sobre trivialidades -- o livro, o trabalho -- e vai se tornando profunda e intensa. Afloram os sentimentos e as frustrações. É como se cada um deles estivesse conversando com uma imagem do outro que ficou há 9 anos atrás. O presente concreto cobra a conta das promessas feitas no passado.
Por trás de um diálogo casual o casal envereda por um questionamento profundo sobre a paixão e o amor. O que sobrou afinal? Quão longe aquele universo paralelo gerado por aquela paixão pode ir, rompendo os desafios do cotidiano e a descoberta dos limites do outro?
Prepare-se para assistir um filme intenso, honesto e belo ao seu modo. Com um final que me surpreendeu!
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